Quem sou eu

Minha foto
Rio Claro, SP, Brazil
Meu nome é Mariana Gabriela Fonseca, prazer. Sou formada em Imagem e Som pela UFSCar (turma 2000 a 2003) e atualmente curso Ciências Biológicas na Unesp Rio Claro (Turma de 2007 até atualmente). Atuo como professora eventual na rede pública Estadual de ensino e tenho grande paixão pelo meu trabalho. Pretendo me formar na licenciatura e fazer pós graduação em Educação. Acredito em uma nova educação, diferente do que é hoje praticada nas escolas brasileiras. Para mim, o método de ensino em vigor é precário e obsoleto, não segue o fluxo das mudanças decorrentes de uma série de transformações sociais, econômicas, comportamentais e tecnológicas. Por isso, estou sempre procurando inovar em minhas aulas, mesmo que muitas vezes falhe e/ou caia no tradicional. Afinal, errando é que se aprende.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Uma pausa, um bloqueio e algumas Gestalts (Parte II)


Gente, tá aí uma coisa que não consigo deixar de repetir: levo meses para retomar o fôlego - muitas vezes por falta de tempo, outras por falta de ânimo - e escrever aqui no blog. Foram tantas e tantas turbulências que nem sei por onde recomeçar.  Mas recomecei. Ontem postei um texto sobre as Cartas na Manga (para entender melhor, leia: Respeitável Público!) e hoje resolvi dar continuidade ao post que ficou incompleto, Uma pausa, um bloqueio e algumas Gestalts. Sendo assim, mãos à obra:

Logo após ter me inscrito como professora de Arte, minha escola sede me avisou que estavam sem o professor de Arte e que gostariam muito que eu assumisse as aulas. Já me apresentaram algumas turmas e comecei a elaborar um plano de aula. Fiquei bastante animada, e os alunos também. Pretendia incluir um pouco das artes audiovisuais em sala, já que minha graduação na Imagem e Som me dera vasto conhecimento na área. O dia da atribuição foi um pesadelo. Era aniversário da minha mãe, e ainda assim ela me acompanhou até Limeira para resolver a parte burocrática da coisa. Chegando lá, econtramos o que era de se esperar: dezenas de professores amontoados, aguardando seu lugar ao sol. Foi demorado, muito demorado. Ficamos cerca de 4 ou 5 horas esperando. Quando finalmente chegou minha vez, um "baque": Minha inscrição ainda era como professora de Ciências. Tentei explicar toda a situação, insistir que havia me inscrevido como professora de Arte, mas a bagunça e falta de organização por lá continuam me surpreendendo. Não constava qualquer inscrição minha na área. Estava ainda cadastrada como Professora de Ciências. Fiquei com um pé atrás, tentei explicar MAIS UMA VEZ, que estava com a matrícula da faculdade suspensa e sendo assim não conseguiria atribuir as aulas de Ciências. Mas, como sempre, mal me ouviram e insistiram, insistiram, e acabei assinando uns papéis para aulas de Ciências em uma escola no fim do mundo, aqui em Rio Claro. No mesmo dia fui até a escola onde atribuí, conversei com eles, me passaram uma lista de documentos e insistiram que meu Laudo Médico deveria ser emitido ainda naquele dia, para que eu não perdesse a chance. De lá pra cá, emprestei dinheiro de minha irmã, fiz o tal exame médico admissional, e obviamente, me deparei com um problema que já havia previsto, mas ninguém quis ouvir: O certificado de matrícula no semestre em questão. Impossível, minha matrícula estava suspensa. Precisava repetir? Não, mas ninguém me ouviu, e acabamos sendo barrados pela realidade. Fui à minha escola sede e pedi ajuda. Por fim, a orientação que me deram foi: Fica na sua, não levanta essa lebre. Você não poderia nem mesmo estar como eventual, dada a sua suspensão na faculdade. Então, foi isso o que aconteceu. Sem aulas de Arte, sem aulas de Ciências. Voltei ao marco zero, fiquei como eventual. Meses mais tarde, um de meus alunos, que teria aulas de Arte comigo caso as coisas tivessem sido executadas da maneira certa, me questionou por que eu havia abandonado a turma. Refutei, disse que houveram problemas burocráticos, e ele me disse que lá na escola, a informação que passaram para todas as turmas foi de que eu não quis dar aulas de Arte para eles e havia desistido. Sim, eu fiquei bem revoltada e magoada. Por fim, deixei quieto.

Neste mesmo ano, uma escola de periferia me convidou para acompanhar algumas turmas que estava desde o começo do ano sem professor de Química, e enquanto ninguém atribuísse, eu seria a professora deles. Aceitei o desafio, apesar do medo. Senti medo pois Química sempre foi meu calo, a unha encravada. De qualquer maneira, com o passar do tempo, consegui organizar meus conhecimentos, entendi que aqueles alunos não sabiam nem mesmo dizer do que se tratava a disciplina de Química e comecei um trabalho muito legal com eles, do comecinho: O que é Química.

O semestre correu bem, mas quando chegamos ao fim, mais problemas. Em primeiro lugar, a coordenação havia me pedido para preencher os Diários de Classe de todas as turmas, desde o começo do ano. Chegaram até mesmo a me prometer incluir umas aulinhas extras no pagamento pela ajuda. Me deram cerca de 8 ou 9 Diários nas mãos, todos em branco. Foi um inferno. Passei horas e horas tentando colocar em ordem. Faltas, conteúdo... que sacrilégio. Fiz este trabalho sujo (que fique claro: este não é o trabalho do professor eventual, e sim do efetivo, ou seja lá de quem atribui as aulas, menos do eventual) e quando estava quase tudo certinho, faltando duas semanas para o fim do ano letivo, adivinhem? O professor efetivo daquelas turmas, que havia passado o ano todo afastado, retornou. Caso clássico, revoltante. Este é o típico professor que deveria fazer qualquer coisa, menos se meter a dar aulas. Todos os anos o cara dá dessa. Assume as aulas, e uma semana depois, tira licença atrás de licença. Os alunos ficam jogados às traças, todos os anos. Algum professor eventual faz todo o trabalho por ele, e faltando poucos dias para o fim, ele retorna, para não perder a sua parcela do 13º, férias, e os benefícios que só um efetivo tem. Revoltante, no mínimo. Minhas cadernetas estavam quase todas prontas, e eu pretendia levá-las para a escola, afim de que o professor terminasse (afinal não era mais trabalho meu - ou melhor, nunca fora). Só que, aí é que vem a outra bordoada... Quando as escolas não precisam mais do seu trabalho, é incrível como passam a te tratar com hostilidade. Ligaram em minha casa e foram muito, mas muito ríspidos, EXIGINDO que eu entregasse as cadernetas todas preenchidas, num determinado prazo. Queriam que EU terminasse, entregasse tudo lindamente mastigadinho, para o sem vergonha do efetivo (perdoem a fúria, mas para mim professor que tem tal atitude não tem mesmo vergonha na cara). E sabem o que aconteceu? Não entreguei foi nada. Em parte, pela raiva que senti, e em outra, pq o fim do ano chegou e tive mais o que fazer, não tive tempo nem saco para terminar nada. Me senti um rolo de papel higiênico quando chega ao fim. Me senti humilhada e fiquei demasiadamente triste. Já deveria estar acostumada com o desrespeito, que parte não só dos alunos e Governo, mas da própria Direção ou Coordenação. Secretários, diretores, coordenadores, professores efetivos... todos parecem ter um desgosto natural contra professores eventuais. São incontáveis as histórias que teria para lhes contar, de como somos alvo de injustiça, intolerância, desrespeito. Continuo batendo na tecla: Se o professor efetivo já tem problemas para ter respeito, para o eventual pode elevar a mil e multiplicar por cem. As pedras vêm por todos os lados.




Respeitável Público!

É com muita honra que vos apresento a mais nova modalidade de professores: O Professor-Mágico-Eventual! Sim, sim, pois é, pois é... E eu achava que já tinha visto de tudo, me dei conta de que vira e mexe, estamos num picadeiro, sendo vistos como palhaços pelos alunos (mas isso nunca foi novidade), e agora como Mágicos pelas Diretorias afora... Quer entender? Pois então senta, que lá vem história...

Acho que já é do conhecimento de todos que o professor eventual é chamado quase sempre em cima da hora, para cobrir toda e qualquer falta de professores, independente da disciplina. Isso pra mim sempre foi meu maior desafio. Quantas não foram as ligações às 06:59h, uma voz sempre muito imperativa do outro lado da linha dizendo: "Você pode vir para a primeira aula da manhã? Ok, começa às 7:00h, estamos te esperando." Muitas vezes, fico meio atordoada na cama, sem saber o que me espera. Aulas de quê, com que turma, qual será o conteúdo? Algumas vezes, tenho tempo de perguntar qual a disciplina e as séries que irei enfrentar, daí então levanto que nem um foguete, engulo um café, um cigarro, escovo dentes, passo a mão em algum livro didático e lá vou eu, correndo feito doida pelas ruas com minha motoneta vermelha. Devo parecer uma heroína sem capa, descabelada e afoita, buzinando em cada esquina... a verdadeira professora ensandecida. Pois bem, esta é a realidade da maioria de nós, eventuais. Daí chego na escola, sorriso nos lábios, uma certa animação por estar ali, e os meus "Bom Dia" são retribuídos com carinhas amassadas de sono bem mau humoradas, alguns palavrões e frases do tipo: "Ah não, Sôra, vai pra casa dormir!" ou "Ah não, por que você não fica em casa, tinha que vim?!". Se para professores efetivos já é difícil ganhar o respeito, simpatia e atenção dos alunos, para o professor eventual pode elevar a dificuldade a mil e multiplicar por 100. Até aí, engolimos a seco, fazemos a chamada e bola pra frente... Tenho sempre poucos minutos para folhear o livro didático e encontrar alguma coisa de que tenha segurança e firmeza para ensinar, quando estou trabalhando com alguma disciplina nada a ver com a minha. Confesso que, não raro, me sinto totalmente perdida, e, dependendo da turma e da quantidade de aulas que ficarei em sala de aula, sou obrigada a sentar e esperar o tempo passar. Já deixo bem claro aqui, e costumo dizer a meus alunos: Não gosto de adotar esta postura. Não consigo fazer isto por muitas aulas, sinto-me mal, pois vai contra meus valores frente à Educação. Além disso, sentar e esperar o tempo passar, além de ser entediante e demorado (o tic-tac do relógio parece ficar mais lento quando faço isso), dependendo da turma que estamos lidando, dá mais trabalho do que de fato tentar explicar qualquer coisa que seja. Sem ter o que fazer, os alunos sentem-se livres, em aula-vaga, ficam inquietos e não demora para que a sala de aula vire uma extensão do pátio. Acaba dando mais dor de cabeça manter uma certa ordem, torna-se estressante. 

Ok, já entenderam uma primeira dificuldade do professor eventual, aquela aulinha que te chamam em cima da hora e você tem que "se virar nos 30" para descolar algum material. Agora vem um segundo desafio, uma segunda condição que nos é imposta, vira-e-mexe, e que me ocorreu recentemente: Fui chamada para dar aulas de Português. Tive uma hora e pouco para pensar em algo, revirei meus materiais e livros, encontrei algo que seria interessante e lá fui eu. Chegando na escola, porém, estávamos em um dia onde muitos professores haviam faltado, e inúmeras salas estavam sem professor. Eu, com meu materialzinho de Português debaixo do braço, fui delicadamente convidada a mudar as aulas, para lecionar Inglês. Até então, para mim não foi lá muito traumático, encarei numa boa, e aceitei numa boa também, tenho boa experiência em aulas de inglês, fluente na língua, então por que não? Fui subindo com meus badulaques pela escadaria quando a coordenadora me barrou e disse: Olha, tivemos uma mudança, você vai pra sala "x", para aulas de História. 
.
.
.
?
?
?
.
Socorro. Foi o que pensei. Caí numa cilada, Bino! História? Vejam bem, meus caros... Eu me formei em Imagem e Som, estive estudando Biologia por 5 anos... História e Geografia me dão arrepios. Há quantos anos não estudo algo destas disciplinas? E os livros didáticos me dão medo, cheios de mapas e figuras, esquemas e datas, enfim... Simplesmente, para mim, é a morte. Claro que não recusei, mas confesso que fiquei bastante indignada. Eu sempre fico indignada, pois é bem nítido que professor eventual é visto como babá, recreador, e sei lá mais o que, qualquer dessas funções que se baseiam em permanecer cuidando dos alunos para que não fujam/se batam/se matem. Qualquer coisa, menos professor. Direção e Coordenação parecem nos ver como bois a serem laçados pelos corredores, jogados na arena... Se vira, toma conta lá, essa é a sua função. Será que pensam que somos mágicos? Carregamos dentro de nossas pastas um coelho branco, uma varinha mágica, poção da sabedoria...? Ou será que eles pensam mesmo, seriamente, que somos daqueles gênios "sabe-tudo", que podem acessar o próprio cérebro como a um computador, e o conhecimento tá ali, PLIM, feito mágica?

Diante disso tudo, e conforme os anos de experiência passaram, desenvolvi (e estou continuamente desenvolvendo) o que chamo de Carta-na-manga. Trata-se de ter sempre em mãos alguma atividade diferenciada, que tenta trabalhar conteúdos diversos de cada disciplina. Independente do ponto em que aquela turma esteja do conteúdo, estas atividades servem como uma forma de rever ou fixar, sempre buscando inserir atividades mais lúdicas, ou práticas. Não se trata de explanações, longos minutos de teorias, lousas e lousas cheias, nada disso. Geralmente exigem um breve momento de explicação, e em seguida parto para a atividade prática. Porque sinto que o professor eventual não está ali para dar continuação a nada, não me sinto na obrigação de continuar a matéria que o professor efetivo está desenrolando. No máximo, se está dentro do meu alcance e conhecimento, tiro algumas dúvidas aqui e acolá, tento explicar o conteúdo da minha maneira, mas sem a preocupação de cumprir um currículo escolar. Tenho muitas e muitas Cartas-na-Manga que já coloquei em prática, e outras que aguardo um momento para executá-las. Algumas podem ser utilizadas em mais de uma disciplina, ou em várias faixas etárias, enquanto outras são específicas. Seja como for, tem dado certo. Assim que me sobrar um tempo, começarei a postar minhas ideias dessas atividades, com o intuito de compartilhar os resultados de minhas experiências, e de fornecer material para quem possa estar à procura desesperada de uma ideia para sua próxima aula eventual, que começa daqui a pouco, já! 


terça-feira, 6 de novembro de 2012

Uma pausa, um bloqueio e algumas Gestalts.

A pausa, é notável. Não escrevo há meses, talvez um ano. E também houve um grande break em tudo o que costumava fazer. Foi temporário. Por fim, a faculdade ficou suspensa. É , eu diria "trancada" mas eles insistem em dizer "matrícula suspensa" e até acho mais bonito assim. Me dá um mínimo de conforto por saber que não está abandonada, apenas em stand by. É contraditório, pois ao mesmo tempo em que sinto calafrios em pensar no retorno, sinto angústia em não terminar. Foram 5 anos. O curso tem duração de 5 anos. Mas não, eu não estava no último ano. Tanto vai e vem dessa vida, obstáculos, entraves, problemas, psicológicos e também reais, aqueles da vida, que me enrolei. Muitas matérias que nem me matriculei. Outras não terminei. Algumas abandonei, e ficou D.P. Pulando de galho em galho, cada aula com uma turma, os desencontros com a expectativa e a realidade universitária......... Daí "tranquei". Foi bom, aliás, ótimo. No começo doeu, deu desespero, porque ahhh, a Biologia! Eu a amo, e ela sabe disso. Só precisávamos de um tempo. E eu, precisava de dinheiro. 30 anos completos em janeiro deste ano, e me vi obrigada, por mim mesma, por meus sonhos, a tentar buscar a tal independência econômica, para depois terminar os estudos. Pulei de emprego em emprego. Graças à minha primeira graduação, tenho algumas habilidades que me deram oportunidades razoavelmente boas de trabalho. Caí numa gráfica, como arte finalista, bem remunerada, carteira assinada, tudo certinho.... mas pra mim, certinho demais. Além do que, um "certinho" cheios de maçãs podres que só com o tempo a gente sente no ambiente. Ficou insuportável, em primeiro lugar pelo ambiente de trabalho massacrante, e segundo porque meu espírito comunicativo, minha ânsia por fazer algo além, pela sociedade, a ânsia de trabalhar em algo que me permita ser de certa forma livre, expor pensamentos, receber conhecimento, enfim... já sabemos onde quero chegar: sentia falta de dar aula. Não tem como, tá no sangue. Longe das salas de aula fiquei infeliz. Mas havia um obstáculo, e dos grandes: burocracia. Acontece que, como havia trancado a faculdade, achei que não pudesse dar aulas. E tinha esquecido, inclusive, que havia feito a tal prova anual, (como assim?! faço há 4 anos, e tinha esquecido de ter feito!) Reflexo do nó em que me encontrava. Por fim, arrumei um trabalho como professora de inglês, numa dessas redes de escolas "profissionalizantes". Não vou citar nomes e nem adentrar no assunto, pois causou um certo transtorno em minha vida depois. Só digo que dei aulas de inglês, era uma carga horária razoável - a não ser pelos sábados que era das 8 às 18:30h - e eu amava aquilo. Me sentia muito muito gratificada quando ia dar aula, mas que fique claro: POR DAR AULA. Me empenhei, levava músicas, filmes, atividades práticas, sempre criando, pesquisando, me empenhando... estudava bastante, a gramática, pra passar o que pudesse a eles, os alunos. Mas, mais uma vez, não deu certo e fiquei novamente sem emprego. Sem emprego, sem faculdade. Uma luz no fim do túnel surgiu: Cadastro emergencial de professores. É, a coisa está feia, e todos nós sabemos. A velha piada de "qualquer hora vão pegar qualquer um na rua pra dar aula" talvez não seja tão absurda. Literalmente, as escolas LAÇAM professores. Bem sei eu o quanto o eventual camela, pingando de escola em escola, de turma em turma, cada hora uma disciplina, e os turnos.... bom, se bobear te ligam às 3 da manhã pra grantir que você vá cobrir as 18 aulas dos 5 professores que faltarão no dia seguinte. É, companheiros, rapadura é doce mas não é mole não... Aliás, essa rapadura nem é tão doce assim.
Mas voltando... fiz meu cadastro, mas desta vez, com o diploma de Bacharel em Imagem e Som.
Aha! A carta debaixo da manga. Meu bacharelado neste curso me rendeu categoria como professora de ARTE. Por sorte, e eu chamo de sorte pois foi um curso maravilhoso do jeito que foi, quando me formei era considerado um curso de ARTES e sendo assim... Bingo! Faturei! Aí sim, me senti radiante. No dia em que fiz minha inscrição passei na minha escola-sede e foi muito aconchegante, porque as pessoas, professores, funcionários e inclusive o diretor, me receberam de braços abertos, com saudades de mim!!! Cheguei a ouvir do diretor que as portas estavam sempre abertas para mim, pois sou uma professora excelente, dedicada e que "dá pra ver que tenho o dom - que está no sangue". (Uau, quantos elogios! rs rs) É, então no dia seguinte já tinha 9 aulas agendadas. Ah sim, o limite para professores é de 9 aulas no dia, mas veja bem.... não foram raros os dias em que cheguei a dar 13 ou 14 aulas num dia. Manhã, tarde e noite. Pensa: Entra às 7, tem 20 minutos de intervalo às 9:30, depois 20 minutos de ALMOÇO para entrar no turno da tarde... aí mais 20 minutos no intervalo da tarde... deu 18:00h, se vc der sorte, tem as duas primeiras da noite e só, e se for o caso engole um qualquer coisa que levou de casa, escova os dentes, fuma fuma, e entra na sala do noturno. Mas, pode ser que sejam aulas no meio da noite, daí vc pode até ir pra casa, tomar um banho, jantar como merece, mas o risco de se render à cama é grande. Ufff, só de pensar, cansei.

Uma pausa. Um café e água.

Um velho post empoeirado: Aluna professora, professora aluna

Um velho post, guardado em meus rascunhos... confesso que não sei exatamente que rumo meus pensamentos iam tomar, mas me lembro da fase, do stress, dos problemas. Como nada é para sempre, alguns problemas já foram tomados por outros. Como pretendo voltar a escrever, achei importante postar ele, mesmo incompleto, porque de alguma forma, retrata o que estive pensando, que tem consequências concretas em minha autal situação como professora... Então, é isso:


Há tempos que venho pensando em publicar um post sobre essa situação que muitos eventuais passam: ser professor e estudante ao mesmo tempo. Não confunda com a relação ensinar e aprender, que obviamente todos os professores têm, pelo resto de suas vidas profissionais. O papo aqui é outro... Encontro-me em um momento delicado, conturbado, aflitivo e um pouquinho desesperador: não aguento mais a faculdade. Sério. Não, eu não estou louca e nem frustrada com o curso que escolhi, estou me referindo à Universidade como instituição. Tudo o que ela carrega, desde as regras, avaliações, metodologias, exigências... toda a formulação das grades curriculares - até as pessoas que circulam ali: docentes e discentes. Desde o segundo semestre do ano passado que meu desânimo é grande. Várias dps, matrículas trancadas, disciplinas largadas ao relento, outras empurradas com a barriga. Não tenho mais paciência em ter aulas toscas, sem sentido, chatas, sem conteúdo. Não tenho mais paciência para professores universitários que detestam lecionar e são obrigados, para manter uma pesquisa idiota que os tornam, em suas cabecinhas, o ser mais importante da face da Terra. Fico indignada principalmente com a incoerência no que nos é ensinado em relação a psicologia educacional, didática, prática de ensino, com o que é de fato colocado em prática dentro da sala de aula no ensino superior. Encontramos professores que falam tanto em Piaget, Construtivismo, a importância em encararmos a individualidade dos alunos, respeitar as dificuldades deles e procurar compreender as barreiras do ensino-aprendizagem, mas que no fim, não colocam isso em prática na própria avaliação, no lidar do dia-a-dia com nós estudantes universiotários. Fico pasma. O mesmo professor que discursa sobre como o sistema de avaliação é falho, acaba por praticá-lo. O mesmo professor que discursa sobre compreendermos a realidade do aluno, ignora as dificuldades de seus próprios alunos. Não existe psicologia e nem pedagogia na universidade. Malemá encontramos humanismo ali dentro. Somos apenas números: o número do R.A (registro acadêmico), a nota da prova em uma planilha excel, o número de faltas no mês.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Arte - A lousa como superfície/ tela

Tenho passado apuros nas questões burocráticas da educação, mas vou me abster em falar apenas desta pequena parcela do que acho que seria uma boa reflexão... algo que surgiu de improviso, em uma tarde onde estava completamente sem cabeça para dar aulas...

Hoje a tarde (03/08/12) me incumbiram de dar 6 aulas de ARTE. Cheguei ja quase no meio da segunda aula, era uma sétima série. Haviam poucos alunos por conta do início do semestre ter calhado em uma quarta feira... Na sexta, bem, haviam cerca de 10 a 15 alunos nas salas da escola. Sendo assim, sem nada em mãos, entrei na sala e lancei a pergunta: O que é Arte?
Os alunos não estavam de fato interessados em mim e nem em pensar Arte, estavam um pouco tensos porque os tinha retirado de uma deliciosa aula vaga numa tarde de sexta feira. Ainda assim, eles lançaram respostas no ar:
- é desenho
- quadro
teatro
música
filme...

Com essas respostas em mão, os levei a pensar que ARTE diz respeito a atividades que nos entretém, aquelas que divertem. Então, aprender ARTE, deve ser algo divertido, no mínimo. Escolhemos ouvir determinada música, ou assitir ao Homem Aranha. Arte é prazer, é entretenimento. E é expressão. A expressão de quem executa. Falamos sobre arte abstrata, e eles me definiram como sendo algo que não tem forma, que não representa nada tal qual o real, e carrega sentimentos. Sentimentos, quando retratados, são de maneira abstrata. Mas isso, não é algo de domínio apenas deste tipo de representação. Mesmo a arte concreta carrega em si emoções, sentimentos, expressão e muita técnica. Dei o exemplo do clássico NATUREZA MORTA, onde vemos a maçã e o jarro. Senti muito feeling nas crianças, de fato muitas coisas me surpreeenderam na forma como eles encararam.

Em seguida, apresentei a possibilidade da criação coletiva e consequentemente a arte coletiva, como resultado de um processo. Falei sobre o que significa um artista dedicar tempo a pintar um quadro, por exemplo. Qual a motivação? E então, brevemente chegamos à conclusão de que para produzir, é necessário: motivação, uma ideia ... um "tema". E assim, propus que eles utilizassem do quadro e fiz colorido para produzirem um desenho coletico que representaria uma ideia em comum. A escolha do tema partiu deles, e foi VIOLÊNCIA. Antes de iniciarem, coloquei uma questçao sobre o que é a tela. Mostrei o quadro limpo, "virgem". Nu, em branco, esperando para ser usado. Levantei a ideia de que a superfície faz parte da obra. Uma vez que você escolhe se expressar e pode optar pela superfície, e além disso, se a arte será estampada em um plano, então ele se torna parte dela. Os fiz olhar atentamente aos detalhes. A textura, a cor... os defeitos. Havia um buraco enorme no meio da lousa, e sugeri que fosse utilizado como parte da criação. Pensamos sobre a efemeridade da arte mural, pois o que ali íamos fazer, alí ficaria, seria uma obra de arte que fecharíamos apenas ao nosso conhecimento, depois a lousa seria apagaada e tudo mudaria. A arte, esvai.

A prática em si não teve resultados muito animadores. Era uma sala "difícil", alguns alunos repetentes e mais rebeldes, "sem noção", e então por um tempo eles fizeram muita bagunça, brincadeiras com a mãe do colega, representações maldosas de pessoas conhecidas, e assim por diante. Ainda assim, procurei interagir ao máximo com eles, e incentivar a levar o tema ao fim, sem fugir. O resultado foram vários desenhos, cada um representando a violência em suas várias formas. Veja abaixo algumas fotos da aula:

Alunos

Neste desenho, o garoto havia desenhado um estupro, mas quando fui tirar a foto, apagou rapidamente com medo de que eu fosse mostrar pra diretora...

Desenho em andamento

Assassinato

Soco

Este desenho, segundo o garoto que o fez, representa o "bullying", onde um aluno mais velho ruba dinheiro de outro mais novo para comprar lanche.



Uso de drogas







segunda-feira, 18 de junho de 2012

O Bom Professor à Escola Retorna...

            Eu sei, muito muito tempo passou após a última postagem que realizei. E qual não foi o susto quando entrei aqui e vi que tive mais de 2000 visualizações neste espaço de tempo. Em conversa com um conhecido de internet, passei o link do "Diário de Uma Professora Eventual" para ele dar uma olhada, porque ele também está dando aulas, e me surprendi com o seguinte comentário: "Eu já conhecia seu blog. Uma professora o apresentou em um curso (da secretaria da educação? não me lembro...) em São Paulo...".  Opa! Meu blog sendo usado por aí, as pessoas lendo e comentando.... juro, fiquei chocada. Claro que eu sei que blogs são feitos para serem lidos, e este daqui tem mesmo o intuito de compartilhar informações, experiências e ideias, mas nunca acreditei que de fato as coisas fossem dar certo assim. Fico muito feliz por isso, que considero uma conquista, uma forma de reconhecimento... Agradeço a todos que lêem, compartilham, comentam, fazem parte de tudo isso!

          Agora vamos aos fatos: o meu retorno à sala de aula. Passei um longo período de mudanças, que foi árduo, cheio de perdas e ganhos e muita reflexão. No meio do ano passado, tranquei a matrícula na Biologia. Eu sei, é de lamentar, e eu lamento até hoje, mas a real é que não dava mais para mim. As coisas estavam fugindo ao meu controle. Nunca fui uma pessoa que se acomoda facilmente, que aceita as coisas por achar que tem que ser assim. Não consigo me ver vivendo uma rotina que não me agrada, e nem fazendo algo que, no mínimo, eu goste. A situação começou a pesar de fato por questões financeiras. Me enchi de aulas para dar, e por fim não consegui dar conta de absolutamente NADA! Não ia à faculdade, não ia ao trabalho muitas vezes por conta de cansaço mental e físico, não estava fazendo nada bem feito. As aulas na faculdade estavam se tornando um martírio, uma luta. Perderam o sentido para mim, já estava cansada, muito, e há muito tempo, do esquema UNIVERSIDADE. Aquela bitolação, aquele mundo fechado em uma redoma de vidro onde nada do que se estuda é aplicado, onde a prática é ilusória, foge à realidade... isso, somando-se ao fato de me deparar com professores absolutamente hipócritas e ignorantes, alguns tão absortos em seus egos de DOUTORES, que desanimei por completo. Precisava dar um jeito na vida, estava tudo uma bagunça. E decidi que para isso, precisaria me estabilizar financeiramente. Devendo para Deus e o mundo, ninguém consegue se concentrar em nada, o que dirá em milhões de coisas ao mesmo tempo. Após o trancamento da matrículo, continuei dando aulas até o final do ano e, um pouco antes do Natal, já sabendo que no ano seguinte não poderia mais dar aulas, arrumei um emprego como Arte-finalista em uma gráfica. Parecia ser uma boa pedida: o retorno à área de Imagem e Som, um bom emprego, bom salário, carteira assinada, estabilidade... Mas nem tudo são rosas. A começar que a ideia de não estar mais em sala de aula me perturbava. Sentia mesmo uma vontade inquietante de voltar àquela loucura. O trancamento da Biologia também mexeu comigo, porque significava o adiamento da conclusão de um sonho que há anos vem sendo ensaiado. Tudo aquilo que sonhei, que planejei, tudo o que idealizei tinhas se tornado um pesadelo, ido por água abaixo. Ainda estava digerindo esta ideia - e estava com sérios problemas na digestão. Logo o "emprego dos sonhos" mostrou seu lado obscuro também. Patrões ignorantes e tirânicos, sem o mínimo bom senso no trato com seus funcionários. Muita humilhação e submissão, senti com é ser tratada como um "nada". A coisa começou a pegar, e eu logo abandonei o barco. Em seguida, consegui o cargo de professora de inglês em uma rede de escolas profissionalizantes. O gostinho de voltar a dar aulas adoçou minha boca e aguçou o que eu já sabia: nasci para isso! As coisas por lá estavam muito bem, mas o pagamento não é muito animador. Apesar de pagarem quase o dobro do Estado, fico na dependência da abertura de novas turmas, e estou com poucas turmas, daí o salário vai ficando ridículo. Resolvi que estava na hora de agir em prol do meu sonho. Descobri que inscrições emergenciais estavam abertas na Diretoria de Ensino da região, e arrisquei ir até lá com meu diploma de bacharel em Imagem e Som. Deu certo, meu histórico escolar permitiu meu reeingresso como professora de Arte. Não que eu pretendesse atribuir aulas de Arte, mas já era a chave para abrir as portas da escola. A questão das aulas de Arte ainda renderão um post, quem sabe... não é nada contra, só não me sinto preparada para isso. 
          Com a inscrição feita, passei na escola que era minha sede até ano passado, e já saí de lá com uma semana inteira de aulas marcadas. A primeira semana foi intensa, uma loucura. A sensação de estar de volta, a alegria, a emoção! Entrei de cabeça, cheguei a dar 12 aulas no dia, e mais as aulas da escola de inglês à noite. Quase morri, confesso. Foi extenuante. Nas outras semanas acalmei, pedi para ser eventual fixa de Português de umas salas que estavam sem o professor por alguns meses, e deu tudo certo. As aulas de português estão sendo um desafio para mim, mas isso é assunto para um outro post. Por hora é isso, reinicio assim a longa caminhada rumo a um sonho....

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

O Teorema de Tales e Um Coração Partido

Ontem foi um dia complicado para mim na escola. Estive, na noite anterior, me preparando para dar uma aula sobre o Teorema de Tales. Estava com muita dificuldade, porque os livros didáticos que pesquisei não estava lá muito didáticos de fato, cada um explicando de um jeito, uns mais complicados, outros simples demais. E, para que meus alunos pudessem compreender o Teorema, achei nada mais justo do que demonstrá-lo, porque ao meu ver, as coisas ficam mais claras quando são demonstradas, quando sabemos "de onde raios isso ou aquilo saiu". Pois bem, pesquisei, pesquisei, e por fim encontrei um vídeo no Youtube muito bom, uma vídeo-aula com um cara falando um "portunhol" bem acessível. Pronto, para mim, estava tudo muito claro a respeito do Teorema de Tales. Literalmente, copiei cada palavra, o passo a passo do professor-autor do vídeo, e me certifiquei de ter compreendido. A noite foi bem mal dormida, por conta da ansiedade pela tal aula. Sim, acredite ou não, eu aiinda fico ansiosa quando tenho que dar uma aula que considero muito importante ou que para mim se trata de um assunto mais "difícil". Era o caso. Cheguei a sonhar com a tal aula. Amanheceu, dei as outras aulas normalmente, e as duas últimas eram justamente com o primeiro ano que teria a introdução à Geometria com Tales de Mileto! Senti, logo de cara, que estava nervosa. Sendo assim, achei que seria adequado ter uma conversa com os alunos antes de iniciar o assunto, explicitar a importância do conteúdo que seria passado e principalmente pedir o máximo de colaboração para que minha concentração fosse mantida durantee a explicação. Obviamente, não adiantou. Claro, sempre temos aqueles alunos exemplares, que respeitam, ficam quietos,  prestam atenção... Mas também sempre teremos os que querem tumultuar, ou se esquecem que estão em sala de aula e acabam extrapolando na conversa, brincadeiras... Acho que o maior erro que cometi ao dar essa aula foi dizer a eles que se tratava de uma demonstração difícil para mim mesma, que eu precisaria usufruir de uma "cola", coisa e tal. Ou seja, meu erro foi ser sincera demais. Não que alguém tenha dito algo a respeito, mas algo dentro de mim ficou gritando, e gritando alto, que eu era incompetente para dar esta aula. Algo ficou martelando minha auto-confiança, minha capacidade. Não, a aula não foi assim um desastre completo, creio que eu consegui sim transmitir um pouco do que era necessário mas desta vez, naquele momento, senti a necessidade clara de ter uma base mais sólida na formação do ensino matemático. Sabe, sei que sou boa professora, esforçada, gosto muto do que faço, mas também tenho consciencia de que tenho muito muito muito a aprender, a melhorar, no que toca à didática, metodologia. Ainda me sinto engessada, presa a alguns hábitos que considero obsoletos ou então um pouco entediantes. Aquela coisa de: primeiro escreve tudo na lousa e depois explica. Sei lá, esta foi a maneira que encontrei para me sentir mais segura, pois enquanto estou escrevendo o conteúdo, estou reforçando paraa mim mesma aquilo tudo o que eu já sei, ou pelo menos deveria saber. E na hora da explicação, já tenho tudo mais ou menos esquematizado na cabeça, de como devo falar sobre isso ou aquilo. Muitas vezes até me surpreendo comigo mesma, saio muito satisfeita com a aula que ministrei, mas às vezes, sério, me sinto um fracasso, um tédio. Às vezes, dá vontade de parar e dizer: olha, vocês têm toda razão em não estarem prestando atenção, porque esta aula está de fato um horror. Nunca o fiz, claro, sempre vou até o fim, por pior que seja. Já aconteceu de algumas vezes eu parar, sair da sala, respirar, beber uma água, e depois retornar mais... digamos... "leve". Bom, o Teorema de Tales foi um exemplo de situação onde até eu me entediei, até eu me enganei, me "embananei". E a coisa vai ficando pior a cada minuto, porque a desatenção deles cresce, começam cada vez mais dispersar e a coisa descamba, miinha concentração falha e acabo me sentindo um LIXO de professora. Ontem, quando saí da sala de aula, estava me sentindo um fracasso. Cheguei a questionar minha vocação. Mas depois parei e pensei com calma, concluí: Poxa, em primeiro lugar, não estou me formando em Licenciatura  em Matemática, ou seja, não tenho tido disciplinas de prática de ensino em matemática, metodologia, aquela coisa toda. Em segundo lugar, apesar de tudo, eu me esforcei, e no mínimo, fiz o meu melhor. E em terceiro lugar, coloquei na cabeça que esse Tales é um bundão, e o teorema dele é "fichinha" pra mim. Afinal de contas, foi a primeira vez na minha vida que precisei demonstrar essa"parada", tenho certeza de que com o passar do tempo, a prática irá aperfeiçoar meu desenvolvimento. Assim é com qualquer aula que eu venha a dar, seja de Biologia, seja de Matemática. A prática, o exercício, levam ao aprimoramento... Errar para aprender, ensinar e aprender, aquela coisa toda, tão clichê e tão real. Depois disso relaxei, e me convenci de que as próximas vezes serão cada vez melhores, porque vou me esforçar para isso. Ainda preocupada com o aprendizado dos poucos que tentaram acompanhar o raciocínio, prometi levar o vídeo que me auxiliou para eles verem, achei que seria interessante, um reforço, não sei... A aula terminou, e ainda restavam alguns bons minutos para o sinal bater, os deixei livres para "respirar" (e eu respirar também...), e comecei a observá-los, como sempre faço, em suas particularidades. Observo comportamentos, analiso, interajo. E então, notei um garoto no fundo da sala, completamente isolado, que passara a aula toda dormindo no cantinho. Ele acabara de acordar, e tinha um olhar triste. Me aproximei, sentei ao seu lado e perguntei se estava tudo bem. Ele disse de imediato que sim, então comentei que percebi uma certa tristeza, quietude... Não precisou muito, o menino começou a me dizer que estava com problemas emocionais muito intensos e difíceis de lidar. "O coração?" - perguntei. "Sim". E então me contou, espontaneamente, uma história de coração partido. conhecera uma menina, que mora no Rio de Janeiro, e ainda para "ajudar", é filha de pastor da Assembléia de Deus, a qual, segundo ele, exclui quem não pertence ao grupo... Então, o final a gente já pode concluir: os pais dela a impediram de namorar com ele, e os dois se falam até hoje pelo computador e telefone, mas nunca mais se encontraram. Doeu até em mim, porque uns poucos anos mais velha que ele, passei por uma situação praticamente igual. Então, sabia a dor que aquele adolescente está passando. Por fim, o aconselhei a permitir-se sofrer, a chorar, a se sentir revoltado, porque tudo isso faz parte de um processo que infelizmente precisa ser vivenciado para que haja um aprendizado no final. Falei que depois de tudo, ele sairá dessa mais forte e preparado. Que a vida tem dessas coisas mesmo, e que não será a última vez que algo assim acontece, e que talvez coisas piores virão. É triste, mas é real, no entanto, nas próximas, ele estará muito mais "esperto". Coloquei-me à disposição para quando quiser conversar ou desabafar, e parece que notar e me aproximar para saber o que acontece, deu um brilho a mais nos olhos daquele garoto. Posso então não ter detonado o Teorema de Tales, mas com certeza, fiz um bom trabalho naquela manhã.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

A Matemática

Há cerca de um mês, assumi as aulas de matemática para 6 classes de 1ºs anos e 2 classes de 3ºs anos do ensino médio. No início foi confuso, não só pelo fato de que eles estavam mais perdidos que barata em tiroteio, sem proofessor fixo há muito tempo, tendo aulas com uma professora formada em Letras na maioria das vezes, mas também pela minha insegurança, o medo em falhar, em não conseguir. Mesmo assim, aceitei o desafio, e meti as caras. Nem sempre tem sido fácil para mim, muitas vezes me "embanano" com as contas, com o conteúdo, mas sinto que aos poucos estou aprimorando a didática, reforçando a auto-confiança no fato de que por mais que eu não seja e nem esteja me formando em Licenciatura Matemática, gosto de ensinar, e o que me parece pouco, para eles é muito. Sim, infelizmente a situação do ensino de matemática está precário, vejo alunos de primeiro ano me perguntando o que seria o "tracinho no meio do sinal de =" quando coloco alguma desigualdade na lousa, ou ainda me perguntando o que é o "numerozinho em cima do numerozão" nas potências... Tabuada, continhas de mais e menos, frações, raízes, tudo isso que nos parece tão simples, para muitos é como uma aula de chinês. E foi observando isso, logo na primeira semana, que decidi começar com um básico, abrindo mão de seguir o conteúdo do currículo. Pois como poderia falar de Função de segundo grau se eles não saberiam resolver a própria equação do segundo grau, sem saber o que é uma potência ou uma raiz. Saber, eles sabem, mas faltam ferramentas, conteúdos, aquela ladainha toda das propriedades de potências e raízes, tão "decorebas", mas tão necessárias. E foi assim que comecei, com uma revisão dos conceitos mais básicos possíveis. Depois, cada sala praticamente tomou um rumo. A maioria delas pediu que a parte de Sequências numéricas, P.A. e P.G. fossem revistas, enquanto que outras partiram para Funções. Uma delas já está bem adiantada, então precisei iniciar Geometria... Confesso que nem sempre tem sido fácil para mim, porque em primeiro lugar, os alunos sentem-se desestimulados, sentem-se "burros em matemática", porque nunca tiveram um professor decente. Fora o fato de que professor de matemática acaba sempre sendo estigmatizado, tachado de chato, porque a maioria detesta matemática - justamente pelo fato de não entenderem e terem professores medianos ou frustrados que não gostariam de estar ali por nada neste mundo, mas dar aulas sempre foi "uma carta debaixo da manga", infelizmente. Em segundo lugar, a minha própria auto-estima. É irônico, mas no semestre passado, fui reprovada em Matemática Aplicada na faculdade, e Bioestatística também tive que refazer... Não que eu seja assim, uma anta no assunto, mas confesso que sempre tive pouca simpatia pela coisa, e pouca concentração, muita dificuldade. Daí essas aulas surgiram eu eu gostei, porque desde meu primeiro contato em sala de aula como professora de matemática, senti que se  trata de uma disciplina muito mas muito prazerosa de se ensinar... não sei dizer ao certo o que, mas algo no ensino da matemática me encanta, tem "um quê" de desafiador, instiga a mente... Desde que assumi essas aulas, tenho me apaixonado mais e mais pelas ciências exatas, e me empenhado bastante na preparação das aulas. Não estaria mentindo se disesse que ultimamente tenho estudado com muito mais afinco Matemática do que as matérias do curso de Biologia... É que me pesa essa responsabilidade, de ter que ensinar essas crianças, tão carentes de números! Daí me empenho mesmo, passo a noite estudando, pesquiso na internet, leio livros e mais livros didáticos em busca da melhor metodologia, busco vídeos educativos que possam me auxiliar. Bem, o desafio foi aceito, então sinto-me na obrigação de fazer, no mínimo, o meu melhor. E olha, por incrível que pareça, estou muito satisfeita e feliz!

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Da Violência

Columbine (abril/1999) – Imagens do circuito interno de segurança da escola secundária de Columbine, em Denver, nos Estados Unidos, mostram Eric Harris (esq.) e Dylan Klebold, autores dos disparos que mataram 12 estudantes e um professor, em 1999. O massacre em Columbine inspirou o documentário “Tiros em Columbine”, de Michael Moore

Há tempos que a violência na escola me desperta sentimentos que mesclam indignação, medo, surpresa e imenso interesse, o interesse curioso. De onde vem este comportamento auto-destrutivo e, não raro, impiedoso... afinal de contas, onde está o cerne disto tudo? A violência que se estampa em atos de rebeldia, beirando a rebeliões incontroláveis. Rebeliões individuais, transpassadas no olhar, na expressão, na postura, na tonalidade e nos atos em si. Bater, chutar, socar, gritar, xingar, correr. Hiperatividade destrutiva. Contra quem? A si próprio, aos colegas, ao professor, a qualquer autoridade. Na realidade, hoje pude presenciar da violência contra qualquer outro ser humano. Ano retrasado tive experiências intensas, marcantes e de certa forma desanimadoras com uma sétima série. Era estigmatizada pelos professores, corredores, funcionários, pelos próprios alunos. "Tacar o terror" era o lema de uma boa parcela de alunos da sala, o quais se uniam ao redor de alguns mais velhos e repetentes (alunos de 16 anos na sétima série) e literalmente, faziam da sala de aula um parque, do professor uma mera figura a ser desrespeitada. Lembro-me de me sentir humilhada por diversas vezes, chorava, ficava mal. Depois, veio uma fase de raiva, obviamente uma raiva contida, escondida, jamais revelada. E me pegava pensando, analisando. Entrava na sala, enchia a lousa e me sentava, esperando o tempo passar. em seguida, tentei aproximação. Com surpresa consegui justamente com o aluno-problema mor da sala. Foi mínima, mas um pouco de respeito posso dizer que conquistei, apesar de insatisfatório. Não sou uma professora de cobrar muita coisa. Sempre que conheço uma turma, deixo claro algumas coisas sobre mim, minha vida e meu modo de trabalhar. Muitas vezes, percebo retorno imediato: ao se mostrar, se apresentar e se colocar como um ser humano (sim, eles precisam ser lembrados disto), passamos a ser melhor compreendidos, menos idealizados e mais íntimos - consequentemente, mais respeitados. Digo muitas coisas e não saberia expô-las de outra maneira que como um discurso, um monólogo, enfim, como o que se segue:

Bom, primeiramente, Bom (dia/tarde/noite). Meu nome é Mariana. Antes de começarmos a falar qualquer coisa, acho importante que vocês me conheçam um pouco melhor, para saber com quem estão lidando afinal de contas né. Eu tenho 29 anos, estou me formando em Biologia aqui na Unesp Rio Claro. Quando eu tinha 17 anos, estava muito indecisa sobre o que deveria fazer da vida, e sempre estive dividida entre Ciências Biológicas e Humanas. Daí então, prestei vestubular para cursos diversos: Jornalismo na Unesp Bauru, Cinema na USP, Biologia na Unicamp e Imagem e som na UFSCar. Adivinhem só, passei em Imagem e Som. E daí fui, sem nem saber direito do que se tratava aquele curso, mas acabei gostando, era um curso "muitcho doido", envolvia artes cênicas, plásticas e cinema, com comunicação e técnico. Forte, eu diria. Mas depois que me formei, fui trabalhar e percebi que eu gostava muito daquilo, mas não na prática. Estava infeliz. Resolvi prestar Biologia aqui, passei e vim fazer. Quando entrei na Biologia, achei que fosse ser uma grande cientista, fazer pesquisas, células tronco, essas coisas todas aí. Foi então que conheci a licenciatura, a Educação. E me apaixonei. A primeira vez que pisei em uma sala de aula, soube que era aquilo que eu gostava. Então, o que quero que fique claro aqui: sou apaixonada pelo que faço, escolhi dar aulas. Não estou aqui à força, contrariada, e muito menos por dinheiro. Estou aqui porque eu quis estar aqui. E escolhi a escola pública, porque acho que é o mínimo de retorno que devo pra sociedade. Já que estudei em Universidades públicas, nada mais justo do que devolver o conhecimento, passar adiante, com quem mais precisa de professores competentes e apaixonados pelo que fazem. Sabendo disso, vou dizer como trabalho, o que espero de vocês e o que não quero ver. Estou aqui para ensinar. Não vou me estressar, nem me esforçar para ensinar o que sei. Farei o meu melhor, tentarei mesmo passar algum conteúdo importante ou que os interesse, mas não vou forçar ninguém a aprender. Isso é com vocês, com cada um. Não quer aprender, não se interessa, tá com sono, triste, cansado, de mal com a vida, estressado? Abaixa a cabeça e dorme. Coloca o foninho e curte um som na sua. Leia um livro, uma revista. Escreva, desenhe, pinte. Só não atrapalhe, não fale enquanto eu estiver falando, não fique em pé, andando pela sala, que isso atrapalha minha concentração e a de quem quer aprender. Não exijo que copiem a lição, nem que prestem atenção, apenas respeito. Estamos combinados? Ok, então vamos lá..."
Bem, o que se segue é algum conteúdo, o mais detalhado e explicativo possível, e quando alguém ou alguns fogem às regras, simplesmente me calo, encosto na lousa e observo atentamente ao que se sucede, com olhar desapontado e tenso. Em geral, 90% das vezes, funciona muito bem. Em poucos minutos percebem, desculpam-se, e a aula continua. No entanto, nem sempre é assim. E é desses momentos que estou falando. Hoje estive frente a frente a um exemplo de aluno que não sei e nem tenho a menor pista de como lidar. Para preservar a identidade, o chamarei aqui de Renato. Renato está na quinta série, e é fisicamente já um retrato estigmatizado. Baixinho, pele negra, cabelos raspados, marcas de piercing na sombrancelha, olhar efusivo. Postura autoritária, fala imperativa.Roupas largas e comportamento de total ignorância à figura do professor ou quem quer que seja que se coloque a frente. Na primeira vez que tivemos contato, foi um desastre - como era de se prever, dada a figura pintada. Não tendo notado sua presença na sala, foi só começar a falar que os problemas começaram. Não me lembro exatamente o que, nem como, mas sei que Renato em pouco tempo estava me mandando "ir tomar naquele lugar". Quando peguei a pasta para fazer a anotação, se rebelou ainda mais. Gritava, me xingava, ameaçava. Recusou-se a sair da sala. Fez complô com outros colegas, me humilhou, provocou, insultou e ameaçou de novo. Foi tão, mas tão intenso, que caí no choro ali mesmo. Ele foi levaado para fora pela inspetora, que olhou pra mim e disse: 
- Ah, o Renato... Esse daí, bem, precisa ser tratado com muito carinho, não pode bater de frente.
Fiquei com isso na cabeça, meio que indignada, pois eu nunca batera de frente. Pois bem, esse dia passou, e passaram-se alguns meses, até hoje. As aulas eram de informática e para deixar tudo ainda mais bizarro, dentro de uma sala de aula. Nada de computadores, nada de tecnologia. Apenas a boa e velha lousa. A quinta série entrou, e comecei a aula. Um site no papel, esta era a tarefa. Em pouco tempo, a bagunça se instalou. Até então, eu não havia reconhecido Renato, e nem sua "trupe". Seus amigos também poderiam ser pintados num quadro. Cabelos espetados, roupas largas, fala imperativa, muitos palavrões e inquietude. Hiperatividade destrutiva. Estavam brincando com um novelo de lã. Pedi para pararem. Uma, duas, três, quatro vezes. Com toda a educação do mundo. Por favor, cooperem, guardem isso. Não funcionou. Aí, Renato jogou o novelo de lã pelo ar, ele atravessou a sala, atingindo alguns colegas. Uma correria começou, e então me aproximei para pegar o novelo. Renato o agarrou com força, e começou logo a gritar comigo: SAI, LARGA, ISSO É MEU, NÃO VAI PEGAR NADA, FICA LONGE DE MIM. Sem pensar muito, peguei a pasta de ocorrências, comecei a anotação, chamei a representante de sala. Renato xingava. Ameaçava. De novo. Quando fui verificar o nome dele, me lembrei  de que já havia passado por aquilo. Um dejà vu ruim, a sensação de humilhação, tensão, nervosismo extremo. Dor na nuca, pressão alta - logo eu! Pedi que ele não retornasse para a sala, caso contrário, eu iria embora. Passado algum tempo, os amigos da trupe, como num milagre, resolveram me ajudar a controlar a sala. E o que se seguiu foi, aos meus olhos, quase que uma cena de filme. Fiquei observando como eles estavam agindo. Andavam de um lado para o outro na sala, com a vassoura e régua de madeira nas mãos, ameaçando quem se levantasse ou falasse. Às vezes, o aluno nem estava fazendo nada, só por estar "demorando muito" com a lição, era ameaçado a "tomar paulada". Para mim, a cena poderia muito bem ser a clássica de "Tiros em Columbine", e por alguns segundos, em minha cabeça, consegui imaginar facilmente aqueles três alunos com metralhadoras nas mãos, atirando sem pena em qualquer coisa viva à sua frente. Foi um pouco amedrontador, perturbador. E instigante. Eles causaram muito terror, de verdade. Uma menina chorou, porque um deles bateu nela com a régua de madeira. "Já apanho todo dia da minha mãe, e agora ele vem me bater também". Tristeza, desilusão. Inquietação filosófica. A situação se acalmou com o término da aula, confesso que pouco pude fazer para evitar o terrorismo ali instalado. E a partir de então, fiquei reflexiva. Algumas situações simplesmente fogem ao meu controle. Escapam de meu poder de intervir. Passo a me ver como agente passivo, sem ação, inerte. Sem voz, sem força, sem saber o que fazer ou dizer. Claro que sei que para ir a fundo na compreensão dessas crianças, preciso me embasar teoricamente. E que há muito materia por aí, tem. Este post, portanto, está sendo apenas uma introdução do que virá a ser um estudo mais detalhado de toda a psicologia, a sociologia e pedagogia envolvidos no lidar com alunos deste tipo. Estou determinada a me aprofundar. Se alguém aí, que estiver lendo, souber me indicar boas referências bibliográficas, ou contato com estudiosos do assunto, ficarei grata.

E mãos à obra.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Desenhos da Cadeia Alimentar

Como já havia mencionado no post "A Morte e a Cadeia Alimentar" , uma das atividades de ciências que propus à quinta série foi que eles fizessem um esquema ilustrativo de uma cadeia alimentar. Dei total liberdade para que eles escolhessem os organismos envolvidos, o ambiente, o tipo de representação. Maiores detalhes estão no post sobre essa atividade, portanto, vamos às imagens:

Imagem 1:


A primeira que selecionei para postar me interessou pelo ambiente escolhido, e pelos organismos que os alunos escolheram. Nenhum outro grupo ou aluno escolheu o ambiente aquático por não saberem como compôr a cadeia, mas estes alunos foram com a cara e a coragem, me fizeram inúmeras perguntas " quem come quem", "o que é uma alga", e me pediram referências de imagens para desenhar. Entreguei-lhes um livro de Biologia e eles fizeram tudo sozinho. Usaram uma técnica bem comum entre eles, de fazer a cópia direta da imagem do livro, colocando a folha por cima e traçando. Achei muito bonito, e apesar da desorganização, eles encontraram um jeito de direcionar a sequência, usando numeração nos quadros. Incluíram o ser humano na cadeia, o que também achei bem legal. 



Imagem 2:


Este esquema me desanimou um pouco, porque foi feito por um grupo de alunas que não conseguiram, de maneira alguma, identificar os níveis tróficos. Tentei ajudá-las de diversas vezes, em vão. Acabaram por entregar apenas o esquema, sem legendas, sem indicações. Ao menos elas entenderam a dinâmica, e representaram muito bem. Detalhe, os pássaros não estão ali à toa. Eles estão ali para predar a cobra.UAU!

Imagem 3:


Bom, aqui em primeiro lugar, achei os desenhos muito bonitos. Nota-se que os alunos capricharam, foram cuidadosos na confecção. Em seguida, me surpreendeu o milho como produtor! Que ideia, achei lindo! Porque eles pensaram: "a galinha come o milho", e fizeram o milho, e depois as galinhas... depois a raposa e por fim o leão. A representação dos decompositores foi bem diferente também. Por não saberem como desenhar um fungo ou bactéria decompositores, optaram por fazer pontinhos no desenho, no solo, que representam "os microorganismos do solo". Os animais mortos, com o "x" nos olhos e abaixo do nível do solo, indicam que estão enterrados, e o milho caído também representa que até mesmo os produtores morrer.

Imagem 4:


Ahh... este aqui nem tem como não concordar que os traços do desenho são coisa de profissional! Incrível como essa criançada leva jeito para desenhar. Não são raras as vezes que os alunos me entregam atividades de cair o queixo. Muitos deles fazem aulas fora da escola, e aprendem Mangá, compram revistinhas de desenho ou simplesmente praticam sozinhos, e acabam por desenvolver talentos valiosos. Este é um exemplo. Em relação à cadeia alimentar em si, bom, quando fui montá-la fiz na vertical, e não na horizontal, como o mais comum. Portanto, vale ver o primeiro esquema, no canto esquerdo à cima, depois o que está em baixo dele, sobe para o canto superior direito e desce de novo. Acho que deu pra entender, né? rs rs. A primeira coisa que me chama a atenção são as linhas de "alvo" do predador em relação à presa, que saem diretamente dos olhos deles. Achei interessantíssimo. Em seguida, a raposa predando um gavião... Fiquei na dúvida se isso é possível, e sinceramente ainda não tenho plena certeza, mas pela pesquisa que fiz na internet, raposa preda aves sim, então considero válido. O ser humano mais uma vez aparece na cadeia, e surpreendentemente, não é o "grande vencedor da batalha", não é o último consumidor. Nesta cadeia, o ser humano é predado pelo leão!!! O mais peculiar de tudo é que os decompositores foram colocados como consumidores, mas tudo bem, eles entenderam que após a morte, alguém ainda se beneficia dos restos mortais... ;)

Imagem 5:


Ahhhh, essa é a cadeia alimentar mais comentada e requisitada! Aquela onde a Dona Morte, ela mesma, com seu capuz e foice, seu ar malévolo e impiedoso surge ao final da história e o melhor de tudo: como CONSUMIDORA! Genial, genial! Fiquei muito maravilhada e perplexa com a imaginação destes alunos, e tá, um pouco frustrada pelo caos que instalei na cabecinha deles ao ficar martelando A MORTE ao final de tudo. De qualquer maneira, rendeu um belo desenho, apesar dos traços simples, sem grandes ornamentações - mas a Dona Morte foi muito bem trabalhada!

domingo, 5 de junho de 2011

Sala dos Professores

Definitivamente o pior lugar para se estar dentro de uma escola é a sala dos professores. Não sei de onde iniciou essa minha inquietação e desconforto para com este ambiente, mas estou certa de que é um local que não me agrada. Ao menos que esteja vazia, claro. Mas, na maioria das vezes, está cheia. Cheia de  professores cansados, estressados... eu mesma, muitas vezes, estou cansada e estressada. Até aí, problema nenhum. O problema é justamente o fato de que ali dentro se torna espaço para auto-afirmação demasiada. Justificações de trangressões, comportamentos duvidosos, intolerância e desrespeito, sem mencionar frustrações - tudo se manifesta ao mesmo tempo, naquele curto espaço de tempo que dura o intervalo entre aulas. Tenho inúmeros fatos que pude observar e/ou vivenciar, e quase nenhum positivo. Não sei ao certo, mas me parece que professores como eu, eventuais, não são lá muito bem vindos. Pode ser impressão e também não generalizo - sempre há excessões. Mas o fato é que por diversas vezes me senti acuada. Desde o momento em que passo porta adentro, sorridente, e digo BOM DIA, ou BOA TARDE, BOA NOITE, whatever... e quase nunca recebo a resposta. Ao invés disso, já fui chicoteada com olhares de desprezo, viradas de cara, caras feias de quem não está muito afim de papo. A conversa ali, é vertical. Inclui poucos "privilegiados", somente aqueles veteranos de guerra, que sentem-se ameaçados pela presença de uma jovem qualquer, disposta e cheia de boas intenções. Quase nunca fico por muito tempo ali, em geral pego meu café - e isso também parece  ser um crime muitas vezes, já que o café é pago mensalmente pelos efetivos - saio para fumar, e só retorno próximo ao momento de voltar a trabalhar. Mesmo assim, já passei bons momentos ali, apenas ouvindo, observando, e quando possível, interagindo. Um porre. Sim, um tremendo tédio, quando não revoltante. Parece que dentro das escolas existe um padrão de comportamento da classe do professorado, quase que esteriótipos ambulantes. Em todas as salas de professores, sem exceção, existe aquela figura do professor engajado, ou falso-engajado. Aquele que entra meio que bufando, e falando alto. Fala de tudo, da indignação com o salário, a falta de respeito dos alunos, a falta de ética da direção, a má educação que deveria vir do berço... um blá blá bká CHATO, sempre sem a mínima graça, mas que - pasmo - faz os outros rirem. Porque é um discurso debochado, escrachado... uma caricatura falante. E também tem aquelas de fala lenta e arrastada, uma fala bromazepídica. Dá sono ouvir, é sério. O discurso também é ensaiado; diz respeito a histórias sem graça e corriqueiras, de como ela se saiu em um confronto com aluno em sala de aula, ou como a sala "x" é chata... reclamações, basicamente, e vangloriações de "como eu sou foda por ter dito isso isso e aquilo para fulano" , ou "mandei ciclano da sala "y" para a diretoria". E por aí vai, banalidades, inflamação de ego, recalque.
Num canto obscuro, de frente ao computador, tem sempre alguém vendo o orkut, facebook... raramente algo além disso. Colocadas as personagens, temos os figurantes, e o roteiro é dos mais variados. Recentemente, ao entrar na sala de professores, com meu jaleco e o sorriso estampado, deparei com um professor mais, digamos... veterano. E ainda assim, nem tanto. A primeira coisa que ele me perguntou foi: "Você é eventual?". Em seguida, perguntou se era a primeira vez que dava aula. Respondi que não, que dou aula há quase 3 anos como eventual. O comentário seguinte me emudeceu: "Ah, percebe-se que vc é nova mesmo... te vi entrando, toda animada, sorrindo... logo pensei: só pode ser iniciante, para vir dar aula tão feliz." Sorri, e saí. O lance do café já me gerou situações estranhas também. Pra começar que às vezes me sinto envergonhada em me servir, porque os olhares me seguem, e observam cada colherada de açúcar que coloco. Já ouvi comentários e discussões enérgicas sobre o pagamento do café, que o café é caro, que isso que aquilo. Nunca diretamente para mim, claro. Mas indiretas bem ácidas, sim. Também recentemente entrei na sala dos professores de uma escola que nem vou com tanta frequência, e senti cheiro de café. Em cima da pia, uma térmica e num canto, uma cafeteira. Nao havia café na cafeteira, então peguei a térmica e perguntei a uma das professoras que me observava de perto: "este é café ou chá?" Ela me olhou e disse que era café "mas é de ontem à noite, o da manhã a gente ainda nao fez". Logo percebi a hostilidade e nem me servi, saí para fumar. Quando voltei, ela estava se servindo da mesma térmica, o café.
Época de greves e paralisações também são tensas. Os animos ficam exaltados e a velha briga se estabelece: um ou dois mais politizados tecem discursos sobre as paralizações e como a classe deveria ser mais unida, porque senão perde a força, enquanto a maioria observa e se defende dizendo que não participa porque não acredita, ou está pra se aposentar, ou não quer perder o semestre no conteúdo.... aham, cláudia.
Certa vez estava sentada, esperando o sinal bater, quando um professor que sempre me obervara de longe se aproximou e puxou uma conversa no rumo "vc gosta de dar aula?". Em meio às perguntas sobre meu futuro, ele questionou se eu realmente iria seguir a licenciatura ou partir para o bacharel. "Só licenciatura... quero trabalhar com isso mesmo". Ele embasbacou. E o que se seguiu foi uma enxurrada de "incentivos": "não faça isso com sua vida. Você ainda é nova, aproveite essa chance. Faça o bacharelado, e vá para a pesquisa. Acredite, você vai se arrepender. Licenciatura não é para a gente, é um tormento." Foram coisas assim que me obriguei a ouvir, mas dando o direito de entrar por aqui e sair por ali. Essa não é a primeira nem a segunda vez que passo por coisas deste tipo, e fico sempre muito pensativa quando algo do gênero acontece. Em uma coisa os ventrílocos politizados estão certo: a categoria é desunida e digo mais: desinteressada, apática, desiludida e sem o mínimo potencial para incentivar sua própria classe trabalhadora. Deve ser a única, ou uma das poucas onde os profissionais desestimulam os jovens iniciantes na carreira. Mas eu insisto: gosto daquilo, e vou em frente. Meu trabalho de formiguinha por uma educação de qualidade, digna e de respeito, segue, por mais que queiram apagar meus ânimos.
Para finalizar, concluo com uma frase que ouvi ainda esta semana: "A mãe desses alunos deveria ter abortado todos eles...".

Reflexivo, hum?

segunda-feira, 25 de abril de 2011

A morte e a cadeia alimentar

Dia desses fui chamada para dar aula de Ciências a uma quinta série. Fiquei imensamente animada, pois é raro me chamarem para dar aulas especificamente de Ciências ou Biologia, que é a minha área, digamos assim. Daí me empolguei, preparei todo um conteúdo sobre cadeia alimentar, introduzindo alguns termos científicos básicos (não vi muita saída nisso), passando por conceitos de vida uni e pluricelular, eucariotos e procariotos, os cinco reinos... e finalmente, a cadeia alimentar - estrutura básica, funcionamento, equilíbrio e desequilíbrio, heterótrofos e autótrofos, fatores bióticos e abióticos, ecossistema...
Para que eles pudessem compreender, tentei ser o mais simples possível em minha explicação, usar uma linguagem próxima ao que estão acostumados e para isso, comecei assim: "Toda cadeia alimentar tem um começo, meio e fim. Começa com os seres produtores, sempre: aqueles que conseguem produzir o próprio alimento. Daí vem aqueles seres vivos que comem os seres autótrofos, seguindo pelos que comem os que comem os autótrofos, e assim por diante. E sempre acaba com a morte de todos os seres vivos, porque todos os seres vivos morrem. Com a morte, vem a decomposição." é, foi mais ou menos assim que eu falei. Eles pareceram super interessados, deram palpites, tiraram dúvidas, opinaram. Coisas bem interessantes e engraçadas surgiram, como por exemplo, quando eu disse que fatores abióticos são aqueles que não são vivos, não respiram, não comem e nem se reproduzem e exemplifiquei com a luz solar, um dos alunos ficou indignado: "Professora, você está errada. O Sol tem vida sim". Outro, quando falei da produção de alimentos, me questionou se realmente as plantas não têm uma boca para comer. Pois bem, passados estes momentos iniciais, pedi que eles fizessem, em grupos de 5 alunos, um esquema de cadeia alimentar. Ficou a critério deles escolherem o ecossistema em questão - aquático ou terrestre - e os seres vivos que estariam envolvidos. Teria que ser feito na forma de um painel, com folhas sulfite que distribuí, e desenhos com legendas, indicando aonde começa e aonde termina, quem são os produtores, os consumidores, e os decompositores da cadeia desenhada. Muitas questões surgiram no período de desenvolvimento do trabalho: "Professora, como é uma lula? Como é uma alga? Quem come o elefante? Quem come o gato?", e assim por diante. Tentei esclarecer a maioria das dúvidas e mostrar a eles que não importava muito o desenho, mas sim o símbolo. Quando me entregaram os trabalhos, tive grandes surpresas. A que mais me intrigou foi o fato de muitos grupos terem levado ao pé da letra o fato de que a MORTE seja um elemento da cadeia alimentar. Sim, elemento. Um dos grupos desenhou a "Dona Morte", com foice e capuz, e a colocou como último consumidor da cadeia. Outro, finalizou a cadeia com a palavra MORTE... Ainda teve quem tenha feito os decompositores como sendo a representação da morte (com cruzes). Além disso, houve um grupo que não conseguiu de jeito nenhum classificar os elementos da cadeia : produtores, consumidores e decompositores. Outro, colocou um gato sendo comido por um cachorro (não, eu nunca disse que cachorros comem gatos, o aluno deduziu com base em "um desenho animado que vi um dia desses").
Pois bem, graça à parte, isso me fez colocar em questão a velha história: cuidado com a maneira que se explica um conteúdo a uma criança, pois elas acreditam ingenuamente e fantasiam sobre quase tudo. Fato. Quem poderia imaginar que quando eu disse a palavra MORTE, querendo me referir ao fim de um ciclo, decomposição e reciclagem de matéria, eles estariam em suas cabecinhas imaginando a "dona morte", ou ainda, atendo-se tanto a essa palavra. Ficou bem claro que esse foi o termo que predominou nos esquemas. Eles podem até ter se esquecido dos produtores, dos decompositores, mas grupo algum deixou de mencionar a "dita cuja". Agora fico aqui martelando isso, e me questionando muito sobre a maneira que escolhi explicar uma simples cadeia alimentar. Me culpo por ter cometido este erro, apesar de achar que não seja algo muito grave. Ficou um belo aprendizado, não sei se para eles, mas para mim. Errei, aprendi.

*Os desenhos ficaram lindos, qualquer hora escaneio alguns e posto como exemplo aqui.

Ideias, ideias e mais ideias


Sempre penso muito em como posso inovar na sala de aula. Acredito que o método de ensino que é aplicado atualmente é demasiado obsoleto para os dias de hoje. As gerações mudam, a tecnologia muda, as espécies mudam (!), e aí eu me pergunto: porque a educação não muda? Se estamos lidando com a formação de cidadãos, com pessoas, mutáveis, então me parece tão óbvio que o modo como devemos ensinar também deve mudar, além do conteúdo, que precisa urgentemente sofrer profundas alterações para contextualizar a teoria, a prática, e consolidar uma Educação flexível, maleável, plástica... Claro, este tipo de mudança não ocorre do dia para a noite e muito menos se faz individualmente. Mas, quando estou eu e eles, frente a frente, na sala de aula, posso pelo menos tentar alguma mudança, sutil, experimental, inovadora. Fico observando o quanto falta de compreensão quanto às mudanças comportamentais da geração que estamos lindando, por parte de: Governo, diretores, professores, pedagodos - os ativos, e não os teóricos (se bem que até aí observa-se um engessamento em padrões mas ainda tem quem pense diferente, ainda bem!). Basta entrar em uma sala de aula, que observa-se alunos que ouvem música, conversam, usam internet no celular, lêem alguma coisa ... tudo ao mesmo tempo e agora. Já é fato que os jovens de hoje possuem uma habilidade quase inata de poder se concentrar em várias atividades ao mesmo tempo. É a típica cena do adolescente ou criança que assiste tv com o rádio ligado, msn piscando, facebook ou orkut, ou um jogo, conversam ao celular, comem ... Multifuncionalidade total. E daí essas crianças ou adolescentes vão para a escola e são obrigados a sentarem-se em uma sala fechada, em uma fila de carteiras, olhando para a frente, quietos. E são obrigados a ouvir um blá blá blá sem sentido, uma avalanche de conteúdo sem perspectiva de utilidade, porque os exemplos - quando ocorrem - da aplicação são sempre ultrapassados, provavelmente o mesmo problema de matemática que minha avó estudou ou a aplicação física que meus pais conhecem. E aí, aonde fica a tecnologia, e toda a evolução que dizemos ter vivido e estar vivendo, em todos os aspectos? Do lado de fora da escola? Qual o sentido em exigir cópias e mais cópias de um livro didático qualquer, de pedir a decoreba dos verbos intransitivos em inglês, ou de fórmulas como Velocidade média, fórmula de Báskara, Gravitação de corpos, Magnetismo... o nome dos ossos, as glândulas... qual é o objetivo, imagino que essa seja a pergunta que mais ecoa no consciente e inconsciente de uma maioria avassaladora de alunos. Inspiro-me muito na concepção de escola libertária, e nesse assunto tenho como "mestre" A.S. Neill e sua Summerhill School. Descobri esta linha de pensamento pedagógico há pouquíssimo tempo, ano passado, quando uma professora de Psicologia da Educação me pediu um trabalho sobre o livro de Neill entitulado: Summerhill - Liberdade sem Medo. Fiquei boquiaberta quando comecei a folhear o livro, ainda na biblioteca da faculdade... Finalmente eu estava lendo algo que se aproximava do que eu sempre imaginei em uma escola. Claro, se formos observar de perto, ainda muitas coisas de summerhill creio que sejam um tanto quanto difíceis de serem aplicadas aqui, no Brasil, no entanto, a ideia central me encanta e acho perfeitamente aplicável, maleável, passível de adaptações à realidade e contexto em que vivemos. Bem, teorias à parte, cheguei à uma ideia. Um amigo me disse que um de seus "sonhos", ou planos para o futuro é o de criar uma escola libertária, totalmente diferente. E assim, vi que posso unir-me a pessoas como ele, que tem essa mesma inquietação, e colocar em prática isso. Um dia, ah, um dia... estava me perguntando ainda hoje: poxa, existe escola católica, presbiteriana (a que estudei, inclusive), por que não uma escola libertária cultural? A ideia ainda está em amadurecimento, claro, ainda é apenas um brainstorm absurdo, um sonho, plano, sei lá o que pode-se chamar. Um projeto! Penso em uma escola aonde o maior número (em variedade) de filosofias, culturas e conteúdos possam ser estudados pelos alunos. Obviamente teríamos uma limitação de carga horária, ao menos que estivéssemos falando de um modelo de internato. O que não me parece má ideia, a opção de escola integral, meio período ou internato. À critério da família e do aluno escolherem uma das opções. O leque de conteúdos seria enorme. Além do conteúdo padrão, de disciplinas como Física, Matemática, Biologia, História, etc - e estes obviamente pensados para serem trabalhados de maneira completamente diferente do que se faz hoje,longe de ser padrão no quesito metodologia - teria-se à escolha dos alunos aulas nas mais diversas áreas do conhecimento e da cultura: Música, teatro, esportes, pintura e desenho, cinema e video, informática, línguas, dança... Claro, isso nao é nada inovador se analisarmos cruamente, mas não estou aqui me referindo ao básico disso tudo, e sim de uma abertura imensa de opções, fugindo do tradicional "FUTEBOL, INGLES E ESPANHOL, EDUCAÇÃO ARTÍSTICA". Estou falando de coisas novas, que podem incluir desde o estudo de crenças e religiões diversas - do catolicismo ao xamanismo - filosofia cética, filosofia tradicional, oficinas de reciclagem, artesanato sustentável, nutrição - podendo incluir culinária e gastronomia - kung fu, ballet, dança de salão, forró, hip hop... aulas de HARPA, tambores africanos... Acho que deu para entender do que estou falando. Mas calma, não pensem que sou uma sonhadora alucinada, utópica. Sei das inúmeras limitações - financeiras, espaciais etc.. - que rondam a execução de um projeto deste. No entanto, ao mesmo tempo, penso aqui comigo: por que não? De pouquinho em pouquinho, com a ajuda de pessoas que pensem da mesma maneira, pessoas que tenham como eu a intenção de transformar, agir, trazer algum benefício para esta sociedade, sem necessariamente enriquecer com isto. Porque quando pensei mais a fundo nisso, não pude deixar de pensar que assim, "no papel" esta escola parece um liceu, uma escola de bervely hills, onde só gente com muito poder aquisitivo poderia estudar, porque a mensalidade seria exorbitante. Mas eu acredito piamente que é possível que uma escola desta grandeza seja oferecida para a sociedade como um todo, independente de classe social. Um longo trabalho, que envolve pessoas de coração aberto, mente sã e lúcida... pessoas que não tenham projetos de casa em miami beach e nada do genero... Apenas gente que, como eu, sonhe em mostrar que é possível uma mudança, contanto que estejamos todos unidos em um só objetivo: transformar a educação.

(continua...)
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Total de visualizações de página